No dia 03 de janeiro de 2017, Rosana e eu fomos para a Bahia para curtirmos nossas férias na Chapada Diamantina e Ilha de Boipeba.

Nosso planejamento era realizar duas travessias pela Chapada Diamantina e reservar de dois a três dias, para conhecermos roteiros mais turísticos pela região, que contarei em outro post.

Depois de passar pela Chapada Diamantina, nosso planejamento para a segunda parte das férias, era curtir uns dias na Ilha de Boipeba, que também contarei mais em outro post. 😉

Antes de começar o relato, segue um pouco de informação sobre a Chapada Dimantina:

Você já ouviu falar sobre Serra do Espinhaço?

A Serra do Espinhaço, é uma cadeia montanhosa que fica no Planalto Atlântico, estendendo-se de Minas Gerais até a Bahia.

Clique na imagem para ampliar

A Chapada Diamantina é  um prolongamento da Serra do Espinhaço e sua origem é do período Pré-Cambriano, ou seja, entre 4,6 Bilhões de anos (período da formação da Terra) até 542 Milhões e anos atrás.

“É uma das formações mais antigas do Planeta, assim como a região do Monte Roraima, entre outras Chapadas da região venezuelana, incluindo Salto Angel, a maior cachoeira do planeta.”

Quanto custou toda a viagem?

Incluindo desde a saída de casa até nossa volta, gastamos juntos o total de R$ 5.046,90.

Nossos maiores gastos foram com transportes. Por exemplo, de Salvador para Lençóis, o gasto conjunto foi de R$ 147,58 e R$ 1118,32 com passagens de avião ida e volta (valor total para os dois).

Fora estes gastos, também tivemos duas noites no Cachoeira Hostel em Lençóis e vários dias de acampamento, com valor médio de R$ 20/ pessoa.

Também gastamos com pizzas e sucos nas cidades de Lençóis, Vale do Capão, Andaraí, Ilha de Boipeba e Salvador, sem contar gastos com outras bobeiras que compramos e passeios mais turísticos. Ou seja, é possível gastar bem menos até.

Para sabermos exatamente quanto gastamos, cruzamos as informações do que levamos em dinheiro e extratos dos cartões de débitos e créditos, usados em locais que aceitavam.

Como foi nossa logística?

  • Saímos de São Paulo no dia 03 de Janeiro à noite, chegando por volta das 22h em Salvador;
  • Do aeroporto, pegamos um Uber (+/- R$ 33), que nos deixou no Hotel Pirâmide (R$ 100 o pernoite/casal), localizado próximo ao Terminal Rodoviário de Salvador;
  • Do hotel, demos uma passada na Rodoviária, para gerarmos nossos bilhetes de viagem para o dia seguinte (4 de janeiro);
  • Saindo às 7h de Salvador, desembarcamos do ônibus em Lençóis às 13h40;
  • Da Rodoviária de Lençóis, fomos para a pousada que havia reservado via site do Booking (Wanderlust Guesthouse), mas a proprietária alegou estar lotada, mesmo eu tendo reservado com mais de um mês de antecedência, então a reserva não serviu para nada…. Não recomendo! Não cumpriu sua parte…
    E então, saímos a procura de outra pousada e achamos o “Cachoeira Hostel“, que nos recebeu muito bem e cobrou R$ 40 por nosso pernoite; Recomendo!
  • Em Lençóis, fizemos a compra da alimentação necessária para apenas dois pernoites e do gás para o fogareiro.

Vamos ao Relato 😉

Após deixarmos nossas coisas na pousada, como ainda tínhamos boa parte da tarde livre, o proprietário do hostel, apelidado de “Cachoeira”, nos recomendou ir até a Cachoeira do Serrano, que fica bem próximo dali.

E assim o fizemos.

À noite demos uma passeada pelo centro de Lençóis, compramos o gás e a alimentação para a travessia e jantamos pizza. O que sobrou, guardamos para levar de lanche.

Trajeto:

Nos baseamos no tracklog de Marcelo Vieira, que havia realizado o percurso, no sentido contrário.

Com isso, geramos este trajeto:

Segue abaixo, um vídeo resumo da travessia, que ajuda a ilustrar melhor o trajeto:

Para visualizar todas as fotos do trecho Lençóis x Vale do Capão, acesse nosso álbum no flickr


Início da Travessia

Por volta das 5h30 do dia 5 de janeiro, já estávamos com nossas mochilas nas costas e partindo para a jornada.

A caminhada segue pela rua abaixo ao Hostel, seguindo rumo ao sul.

Em determinado ponto da caminhada, chega-se onde há duas propriedades. Entre estas, existe uma “trilha” chamada de “Caminho para o Ribeirão do Meio”. É uma trilha, em que boa parte dela, tem quase a largura de uma rua e nela existe um ponto de apoio chamado “Macarim”, onde chegamos às 6h10.

Após jogar um pouco de conversa fora e comprar algumas bananas, continuamos nossa caminhada e só paramos novamente no Ribeirão do Meio às 6h55.

Infelizmente pegamos uma época de muita seca, pois as chuvas de verão estavam atrasadas, o que tornou a paisagem da caminhada pouco atrativa.

Foto em 360º do Ribeirão do Meio

Ribeirao chapada diamantina – Spherical Image – RICOH THETA

Mais abaixo do curso do rio, existe um tipo de tobogã natural para escorregar até a água, onde as pessoas costumam passar o dia.

Após algumas fotos, retomamos a caminhada, cruzamos o ribeirão e subimos a trilha, agora  via Serra do Veneno.

Por volta das 9h30, fizemos uma nova parada, desta vez para reabastecer nossos cantis.

Devido a seca, tivemos um pouco de dificuldades em arranjar água boa para beber, mas conseguimos assim mesmo. Algumas vezes achávamos água com forte sabor de ferro, mas sem problemas, era possível beber e até brincávamos sobre esse fato.

Rosana e eu costumávamos chamar essas águas de “saborizadas e enriquecida em ferro”, para dar um tom mais “gourmet” e tornar a situação engraçada rs 😛

#Dica: Pegue somente água corrente! Jamais pegue água parada! Por precaução, tenha sempre na mochila um hidrosteril / clorin para pingar na água em situações como essa.

Durante a caminhada, já próximo das 12h30, cruzamos também com grupos de pessoas que estavam vindo da Cachoeira da Fumaça, seguindo para Lençóis. Parte desse grupo havia partido por volta das 8h30 do ponto inicial.

Fomos aconselhados por um guia que acompanhava o grupo, para seguir até a Toca do macaco para acampar, ou na Capivara, que estava relativamente próximo dali, cerca de mais umas 2h ou 3h de caminhada.

Por volta das 14h30, passamos pela região da Cachoeira do Palmital. À essa altura da caminhada, já havíamos enfrentado boa parte dos trechos de sobe e desce programado para o dia, por terreno de certa forma bem acidentado.

Por volta das 15h30, decidimos acampar num trecho às margens do Rio Capivara. Até então, não tínhamos certeza se ali era o local conhecido como “Capivara”, porque até tinha um certo espaço para acampar, porém o local correto mesmo, só conhecemos no dia seguinte e que fica ao lado da Cachoeira da Capivara.

“Infelizmente me deparei com grande falta de informações sobre o trajeto no planejamento e os pontos com os nomes, foram adicionados ao tracklog posteriormente, já de volta à São Paulo”

O motivo de termos acampado nesse trecho, foi mais devido ao cansaço e também, parecia que a trilha se perdia nesse local. Mais tarde, procurei subindo pelo rio e encontrei a continuação, um pouco mais acima e na margem à direita.

2º dia – 06-01-2017

Levantamos bem cedo, após termos tomado nosso café e desmontado o acampamento, por volta das 6h30 já estávamos partindo para nosso segundo dia.

Por volta das 7h10, já estávamos passando pela Cachoeira da Capivara, que devido a seca, estava com um fluxo muito reduzido.

#Dica: Inicie as caminhadas bem cedo na região da Chapada Diamantina, pois assim você caminha mais horas em uma temperatura mais agradável.

Durante a caminhada é possível ver algumas pedras com setas. Isso ajuda bastante em muitos trechos, pois a caminhada segue boa parte em região sem grandes visões panorâmicas.

Por volta das 9h, chegamos num ponto de acampamento, já bem próximo à Gruta do Macaco. Aliás, para chegar à gruta, basta atravessar o rio nesse trecho.

Chegando à gruta, você estará às margens do Riacho da Fumaça, que leva para a parte baixa da Cachoeira da Fumaça. Este também é o ponto, que faz confluência com o Rio Capivara.

#Dica: Caso pretenda visitar o poço da Cachoeira da Fumaça, esconda sua mochila na mata, pouco adiante seguindo a trilha. Prepare-se para possivelmente acampar na Gruta do Macaco na volta.

Após chegarmos à Gruta do Macaco, não ficamos por muito tempo lá. Queríamos logo subir a serra para visitar a Cachoeira da Fumaça, então iniciamos a nossa subida. E que SUBIDA!

Há trechos da Serra do Macaco, que foi preciso tirar a mochila das costas para subir.

Para mim, que estava carregando o case da câmera na frente, primeiro tentava subir as pedras, apenas sem o case e quando via que o peso da mochila não ajudava a subir, tinha de tirar também a cargueira, daí ajudava a Rosana subir em seguida.

Acho que foram uns três ou quatro trechos que precisei tirar a mochila para subir nas pedras. Daí entendi por que a essa parte leva o nome de “Serra do Macaco”, é porque precisa ficar “trepando” nas pedras igual um macaco.

Chegamos no alto da Chapada, via Serra do Macaco por volta das 14h , ou seja, quase 5h de percurso desde  a Gruta do Macaco.

Andamos alguns metros e começamos a ver pessoas carregando apenas garrafinhas de água e andando de chinelo, então já sabíamos a essa altura, a partir dali, tanto a trilha pra chegar no topo da Cachoeira da Fumaça, quanto ir para Vale do Capão, seria em terreno bem fácil de caminhar.

Começamos seguir para a Cacheira da Fumaça, antes fizemos uma parada no caminho para esconder nossas mochilas na mata e para Rosana se trocar, pois ela queria entrar na água (doce ilusão 😛 rs).

Assim que chegamos no topo da Cachoeira da Fumaça, nos deparamos apenas com poças d’água, ou seja, a seca também afetou completamente a Cachoeira, pois não havia uma gota sequer, caindo do penhasco para contar história.

Ficamos por lá um tempo, fizemos amizades com alguns viajantes mais no “estilo alternativo”, tiramos algumas fotos de lá e partimos rumo ao Vale do Capão

Chapada Diamantina – Cachoeira da Fumaça – Spherical Image – RICOH THETA


Do alto da Cachoeira da Fumaça até o Vale do Capão, são aproximadamente 1h30 de caminhada. Iniciamos esse trecho por volta das 16h.

Bem próximo do topo, na trilha em direção ao Capão, encontramos um rapaz vendendo água de coco. Seu nome é Marcos e é uma figura conhecida de lá.

Marcos viveu alguns anos na mata garimpando diamantes, o que lhe rendeu um pouco de dinheiro para erguer sua casa. Atualmente vive da venda de refrigerantes, cervejas e águas de coco nesta região da chapada, o que está lhe rendendo a construção de sua pousada, que inclusive já tem nome – “Pousada Mirante do Morro Branco”.

Esperamos que numa próxima ida à Chapada Diamantina, já encontremos Marcos feliz, com sua pousada funcionando a todo vapor!

Não é mole, ir e voltar diariamente do Vale do Capão, carregando as mercadorias que vende. Sucesso ao Marcos! 🙂
Veja o Marcos a partir dos 6:42, do vídeo resumo.

Por volta das 17h30, chegamos ao Vale do Capão, onde foi possível avistar o monte Tabor ou mais conhecido na região, como Morrão.

O Morrão é um ícone do Vale do Capão, bem como da Chapada Diamantina e é possível vê-lo estampado nas artes, paredes e produtos da região.

Curiosidade:
Se você, assim como eu, não é uma pessoa religiosa, saiba que o nome “Monte Tabor”, tem uma relação bíblica. Este é o mesmo nome de um monte na Galileia, onde segundo evangelhos do Novo Testamento, ocorreu a transfiguração de Jesus Cristo, por isso,  o Monte Tabor é considerado um dos lugares místicos da Terra Santa. – Fonte:  Wikipedia

A região do Vale do Capão, também é considerada mística por alguns de seus visitantes, porém não por motivos religiosos. Se é que me entende. 😉

Bom, ainda precisávamos andar até o centro e mais um pouco adiante em busca de um camping, mas fizemos uma breve parada para comer algo diferente da nossa comida de trilha.

Comi uma bela coxinha da jaca e a Rosana comeu pastel de palmito de jaca. Para acompanhar, bebemos um saboroso suco de maracujá silvestre.

A região do Vale do Capão é famosa por sua culinária com jaca. Vale a pena experimentar!

Após forrarmos o estômago, voltamos à nossa caminhada em busca de um camping. Tarefa bem fácil por sinal, pois há um bom número para escolher e a média de preço é de R$ 20/ pessoa.

Ficamos no camping “Sempre Viva” (demarcado no tracklog), que fornece uma boa estrutura com chuveiros quentes, cozinha, tanques para lavar e até wi-fi, por R$ 20/pessoa. Recomendo!

Após banho tomado e acampamento montado, Rosana e eu fomos conhecer o centro do Vale do Capão e jantar.

É uma região bem agradável. E para quem é vegetariano, encontra uma grande variedade de comida. Inclusive é fácil e barato comprar vegetais sem agrotóxicos, pois muitos moradores cultivam em casa e vendem em pequenas feiras / comércios de lá.

Após jantarmos pizza (pra variar), voltamos para o acampamento a fim de descansar.

3º dia – 07-01-2017

Acordamos cedo, pois queríamos aproveitar um “dia de folga” no Vale do Capão. Na recepção do camping, conhecemos um casal bem bacana (Bárbara e Vinícius), que nos recomendou fazer a trilha para a Cachoeira da Purificação e também nos contaram que iriam para o Vale do Pati no dia seguinte.

Como Rosana e eu também íamos, resolvemos dividir os custos de um transporte, para nos levar ao início da trilha no dia seguinte.

#Dica: No centro do Vale do Capão, é possível conseguir carros e moto táxis com grande facilidade e é possível negociar preços.

Nos despedimos de Bárbara e Vinicius, pois eles iriam conhecer o “Poço do Gavião”.

Enquanto isso, Rosana e eu fomos atrás de uma carona ou moto táxi para nos deixar no começo da trilha, evitando assim cerca de 6km de caminhada por estrada de terra.

No caminho, avistei uma mulher (Rebeca) com seu filho pequeno (Salu), enfrentando dificuldades em fazer o carro funcionar. Algumas pessoas estavam ajudando, tentando fazer o carro pegar no tranco, mas em vão…

Me apresentei e perguntei se poderia ajudar, ela já meio descrente de que alguém faria seu carro funcionar, aceitou.

Notei que o carro não enfrentava falhas com bateria, pois o painel estava acendendo sem problemas e não seria no “tranco” que o faria funcionar. Possivelmente era alguma falha com a vela, pois  ao virar a chave, dava contato da bateria, e depois de uma certa insistência, virando a chave na inguinação, consegui dar a partida e o motor funcionou.

Conversando com Rebeca, após ligar seu carro, ela contou que estava indo para a mesma direção que nós e que poderia nos dar uma carona.
Ela também me pediu para que eu fosse dirigindo seu carro, pois estava com receio de que parasse novamente e não conseguisse religar.

Durante o caminho fui explicando para ela, que caso o carro ameaçasse morrer, engasgando e perdendo potência, era só reduzir a marcha e acelerar, pois possivelmente havia uma falha com a vela e que seria bom checar posteriormente, com um mecânico de sua confiança.

Chegamos no estacionamento do bairro do Bomba, agradecemos e nos despedimos.

já eram 11h45 e começamos a andar na trilha.

O trajeto para a Cachoeira da Purificação é bem curto. São cerca de 3 km de caminhada e é possível aproveitar alguns outros poços para banho durante o caminho.

O poço mais famoso desse trajeto, fora o da própria Cachoeira da Purificação, é o Poço da Angélica, que deixamos para passar na volta.

Chegamos à 1ª queda da Cachoeira da Purificação, por volta das 13h10.

Tenha atenção durante a trilha, pois há muitas bifurcações, que podem simplesmente lhe fazer andar em círculos ou levar a um lugar totalmente diferente do desejado.

#Dica: Se por acaso pegar uma bifurcação que te leve de volta ao rio, repare na direção da correnteza e siga a trilha subindo o rio. (Pode parecer bem lógico, mas muita gente se esquece disso e acaba seguindo na direção errada).

Também é possível seguir pelo rio. É um trajeto um pouco mais demorado, pois exige mais cuidado, devido ao terreno cheio de pedras. Afirmo isso, pois vimos uma mulher subindo pelo rio e que nos contou, que sempre segue por ele até a Cachoeira da Purificação.

Após subir ao alto da 1ª queda da cachoeira, já se encontra a 2ª queda, que é bem pequena e em seguida, a 3ª queda que é a sua principal e que dá o nome de “Cachoeira da Purificação”.

Como já se passavam das 13h, pegamos um horário em que o sol, ilumina bem a cachoeira formando um cenário bem bonito.

Ficamos lá um tempo e comemos o que sobrou da pizza do jantar. Quando nos preparávamos para voltar, a mulher que vimos subindo pelo rio chegou.

Sua aparência era de um pouco cansada, mas com um belo sorriso no rosto, por ter concluído mais uma vez seu tradicional percurso.

Por volta das 14h55, fizemos uma pausa no Poço da Angélica, nadei mais um pouco, Rosana tirou algumas fotos e fomos embora.

Chegando de volta ao bairro do Bomba, pegamos um moto táxi pelo preço de R$ 12/ cada, que nos deixou na porta do camping.


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Chapada Diamantina – Vale do Pati x Andaraí em 4 dias

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Rodrigo

Designer gráfico, com MBA em Marketing, atuando atualmente com como analista de mídias sociais. Sempre que possível gosto de fazer uma trilha, acampar, ou viajar para algum lugar longe da muvuca e geralmente gastando bem pouco ;)

1 comentário

Chapada Diamantina - Vale do Pati x Andaraí em 4 dias | Exploradores · 15 junho, 2017 às 23:58

[…] pode ler o relato anterior clicando aqui, onde inclusive consta toda nossa […]

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