Este relato não é exatamente do grupo, pois trata-se de uma viagem de férias que fiz com a Rosana, mas algumas pessoas pediram detalhes, dicas etc, então segue um relato sobre a Chapada dos Guimarães e alguns detalhes sobre Nobres-MT

No dia 12 de Janeiro de 2014, Rosana e eu viajamos para a Chapada dos Guimarães.

A logística para ir é até que fácil, basta viajar de avião para Cuiabá e alugar um carro ou ir de ônibus para a Chapada.

Optamos por alugar um carro, que saiu na faixa de R$ 50/dia, pois tínhamos a intenção de conhecer Nobres e ainda viajar até a fazenda onde o amigo Milton Frank trabalhava como gerente e passar um fim de semana.

No caminho de Cuiabá até a Chapada dos Guimarães, é possível avistar as formações rochosas de longe. É uma paisagem bem diferente do que estamos acostumados e valeu a pena conhecer.

Já bem próximo da cidade da Chapada dos Guimarães, fizemos uma parada em um mirante que fica na rodovia. Trata-se de uma espécie de viaduto com vista para uma cadeia de Cânions, chamada de Mirante do Portão do Inferno.
Esse mirante tem esse nome, por ficar em uma curva perigosa da estrada e existir um portão isolando a área devido risco de desmoronamento.

Existe também algo curioso próximo ao mirante, que se você deixar o carro em ponto morto, ele sobe sozinho.

Ainda no caminho fizemos uma parada no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães para ver a Cachoeira Véu da Noiva.
É uma bela vista e é uma pena a trilha para o poço da cachoeira, estar interditada, devido a uma morte ocorrida por uma rocha que despencou, matando uma pessoa.

Também passamos em algumas cachoeiras que existem próximo à pista, como a Cachoeirinha e Cachoeira dos Namorados (paga-se R$ 15,00 de consumação ao entrar nesse local)

De lá fomos ao Mirante Alto do céu, para ter uma bela vista da chapada.
É um lugar que é preciso pagar R$ 10 para o morador local que mantém o lugar.

A vista compensa, tem um lindo visual e é possível avistar um rochedo que se destaca chamado de “ninho das águias”, que inclusive também é possível chegar próximo.
O caminho até esse mirante é por uma rodovia asfaltada em um bom trecho, até que se chega próximo ao Sindacta 1 e inicia-se o percurso de estrada de terra, porém não é um percurso longo nesse trecho.

Observação: Para os atrativos citados acima, existem placas de sinalização na estrada, por isso não detalhei sobre como chegar. São atrativos que vimos no caminho e fomos visitar 😉

 

 

 

Antes de continuar a contar sobre o que fizemos, gostaria de deixar explícito, que é necessário a contratação de um guia, para a realização das trilhas pela Chapada dos Guimarães.

Algumas delas, encontram-se fechadas com portão e cadeado, sendo abertas somente pelo guia autorizado e confirmando por rádio.
Para isso, contratamos o Noam Salzistein, que é muito gente boa e é apaixonado pelo lugar.

E-mail: noamcerrado@hotmail.com
Tel: 65 9321 2645 / 65 9281 4220


No dia seguinte, 13 de janeiro de 2014:

Noam nos encontrou na Pousada, onde estávamos hospedados para que pudéssemos ir para a trilha do Morro São Jerônimo, com trilha da Morraria + circuito das cachoeiras.

Essa trilha é bem bacana, pois é de longo percurso e leva o dia todo caminhando.
A trilha e bem aberta e demarcada, porém é necessário o guia para ter autorização de acesso ao local.

Tracklog Trilha do Morro de São Jerônimo + trilha da Morraria (18km):

O carro fica estacionado próximo ao portão de acesso e durante o percurso, é possível avistar formações rochosas bem curiosas como a Casa de Pedra, Jacaré de Pedra, Pedra do Altar, Mesa de Sacrifício, Cogumelo de Pedra e Guardião de Pedra.
Além das formações rochosas, temos a possibilidade de ver uma fauna bem rica, flora adaptada ao clima e ao solo local.
É possível ver espécies de plantas que estamos acostumados a ter em região de mata atlântica, como por exemplo a Quaresmeira, porém como se fosse um pequeno arbusto.

No trecho inicial da caminhada também passamos por uma formação rochosa conhecida como “Casa de Pedra”, é bem possível usar como abrigo natural, pois também passa um rio abaixo desta formação.

Durante o caminho também avistamos algumas pegadas de animais como antas, onças e cervídeos.
Tivemos sorte em não nos deparar com uma manada de queixadas, que foi possível ouvir logo nos primeiros trechos de caminhada.

Ao decorrer da trilha, Noam ia nos explicando sobre a vegetação, fauna, flora e também nos fez experimentar algumas frutas silvestres do cerrado, que estavam no chão, mas em ótimo estado, confesso que são bem saborosas.

Fizemos a trilha em um dia nublado, porém por vezes o sol aparecia, mas com alguma possibilidade de chuva, porém não fomos pegos por ela nesse dia.

Já no trecho de subida do Morro de São Jerônimo, é possível encontrar algumas curiosidades, como fósseis de conchas. Sim, o mar já fez parte da paisagem daquele lugar e é fácil imaginar como era, só observando a cadeia de cânions da chapada.

Algumas fotos

No trecho final da subida, tem a opção para uma subida mais fácil e para escalaminhada, que foi a que fizemos. É preciso ter uma certa prática para subir esse trecho, pois a formação básica é de arenito, que não é uma rocha confiável para apoio e é facilmente esfarelado nas mãos.

Após chegarmos no platô, fizemos o que o Noam chama de “Volta Olímpica”, pois assim, é possível ter uma vista de 360º da paisagem.

O Morro São Jerônimo é o ponto mais alto da Chapada dos Guimarães chegando até cerca de 860 m de altitude em relação ao nível do mar.

Tiramos algumas fotos e sentamos em um local para comer um lanche.
De lá avistamos a chuva caindo numa região próxima e que tinha a possibilidade de nos alcançar.

Depois de lanchar, jogar conversa fora, iniciamos a descida, pois a chuva estava vindo para nossa direção. Por sorte e com a ajuda do vento, não nos alcançou e mudou de direção.

Chuva se aproximando do Morro São Jerônimo – Chapada dos Guimarães

Após descermos do Morro São Jerônimo, iniciamos a trilha da Morraria e no caminho, fizemos uma parada na “Casa do Morro”.
Trata-se de uma cansa antiga, com vista para o Morro São Jerônimo, que Noam e alguns amigos guias, estão tratando de recompor, para que possa ser usada de abrigo, pernoite dentro do parque, durante atividades mais longas.

Atualização 30/12/2016Noam informou que já é possível a sua utilização para pernoites, porém com algumas restrições.
É necessário reservar com o guia escolhido, e apenas os guias que passaram por uma qualificação específica, podem oferecer pernoite e travessias. 

O pernoite é voltado para grupos de até seis pessoas, mediante assinatura de termo de responsabilidade, autorização e termo de boa conduta.

É uma ideia ótima e que já existe procura para isso, fora que se tem a possibilidade de estar bem afastado do centro, ter o silêncio da mata ao redor e vislumbrar o céu limpo e estrelado devido a ausência de poluição luminosa nesse local.

Após algumas fotos e mais “dedo de prosa”, começamos nossa caminhada pela trilha da morraria, onde passamos pelas formações do Cogumelo de Pedra e do Guardião de Pedra ou Moai.

Existe pouca oferta de sombra durante todo o trajeto. Demos sorte com o clima nesse dia, porém fizemos uma pausa na única árvore do trecho da morraria que oferece uma boa sombra.

Depois desse trecho passamos por um mirante que é possível avistar uma bela formação de cânions da chapada também.

Mais adiante começamos a ver o que seria a chamada “Cachoeira do Chuveirinho”.
Essa cachoeira só existe na época das chuvas, pois seu leito de rio seca a partir do outono devido escassez de chuva.
Descemos em direção à cachoeira, tiramos algumas fotos e seguimos para uma outra que propiciava banho em um poço bem cristalino.

Noam considera a cachoeira das Bromélias, como um local sagrado para o banho.

Lá usou algumas folhas de uma planta, chamada Negra-Mina, que exalava um cheiro bem agradável, para fazer um tipo de banho de ervas e que fez questão de compartilhar comigo e com a Rosana. Realmente foi muito bom, pois saímos com um cheiro agradável e natural após um banho de cachoeira.

Depois desta cachoeira, fomos para a nossa última desse dia, a Cachoeira 7 de Setembro.
Uma pequena queda, porém que oferece um ótimo lago para nadar e tomar um bom banho.


14 de janeiro de 2014

Encontramos com o Noam no centro da cidade de Chapada dos Guimarães.
Pegamos uma estrada em direção a Campo Verde, para a Fazenda Água fria.
Fomos conhecer algumas cavernas como a Gruta da Lagoa Azul, Caverna Kiogo Brado e Aroe Jari (Morada das almas em Bororó), também conhecida como Caverna do Francês.

Descendo o morro na direção das cavernas, passamos por uma formação bem curiosa que é chamada de “Ponte de Pedra”. Trata-se de uma longa pedra apoiada em outra rochas.

Já no caminho das cavernas, também passamos por uma outra rocha, enorme que era apoiada por apenas 3 pontos de apoio em cima de outra rocha.
Nesse local dá para tirar umas fotos como se você estivesse ajudando a sustentar a grande pedra.

Chegamos na Gruta da Lagoa Azul e é realmente linda e vale a pena dar uma olhada, é uma pena que o banho nela é proibido, porém é por um bem maior, sua preservação.
É um local que rende boas fotos e pode-se ver bem a cor da água nas imagens.

Depois dessa parada, seguimos para uma das entradas da Caverna Aore Jari, não ficamos muito tempo nesse local, pois passaríamos na volta, então seguimos para a Kiogo Brado.

A Kiogo Brado é uma caverna muito bonita, sua formação basicamente é de arenito, é possível atravessá-la sem problemas e tem um visual muito bonito.
lembra um pouco a arquitetura gótica por possuir um teto alto e uma formação de arco em ângulo agudo.

Após atravessar, paramos para um lanche e a chuva chegou nesse dia.
Começou chovendo de forma tranquila, e depois aumentando.
Não haviam raios ainda então iniciamos nossa caminhada.

Durante o percurso, a chuva acalmou, porém começamos a ouvir trovões, até que um raio caiu em um local próximo, mas não muito de nós, daí seguimos para a outra entrada da Caverna Aroe Jari.
Ficamos lá até a chuva e os raios acalmarem, foi possível dar uma leve explorada, atravessamos até o outro salão e saímos perto da entrada do começo da caminhada.
Noam também explicou sobre a diferença de formação de arenito dessa caverna.
Que trata-se de uma formação rara, de sedimentares siliciclásticas.
A caverna ocorre nas formações Alto Garças e Vila Maria (Grupo Rio Ivaí)

Fotos das cavernas

Depois de um bom tempo por lá, seguimos nossa caminhada até o quiosque do estacionamento para um bom almoço.

Na volta pela estrada. nos deparamos com duas corujas buraqueiras, que me renderam algumas fotos que particularmente gostei muito.
Também passamos em um mirante para apreciar as cores de final de tarde.

Demos uma passada na Casa do Noam, conhecemos sua esposa e tivemos a oportunidade de saborear o maravilhoso suco de seriguela.
Afirmo que é um dos sucos mais saborosos que já tomei na minha vida.


Último dia de Chapada dos Guimarães, 15 de janeiro de 2014

Fomos pela manhã para a Cidade de Pedra.

O caminho não tem sinalização e é aberto para visitação autoguiada aos fins de semana.
Era para termos ido no dia 12, mas como não encontramos o lugar, fomos no dia 15 com o Noam.

O percurso nesse local é bem curto, mas dá uma boa visão da estrutura que compões a chapada.

Tracklog para a cidade de Pedra, pois não tem boa sinalização para chegar lá:

É possível ver formações rochosas bem estranhas que é o motivo do nome “Cidade de Pedra”, pois aparentam ser ruínas de antigas construções, porém são formações naturais.

Além das formações, é possível avistar ninho de araras nas rochas

Apesar de ser uma passeio bem curto, vale a pena conhecer para poder apreciar a vista lá de cima.

Algumas fotos


No mesmo dia, seguimos viagem para a cidade de Nobres-MT, que é um passeio bem voltado para família ou casal.
Trata-se de uma cidade com vários balneários com águas cristalinas, cavernas e é possível nadar com os peixes fazendo flutuação.
Lá também existe uma caverna com Lagoa Azul, porém quando fomos encontrava-se fechada para o público para plano de manejo. (Fechada desde 1994, mas possivelmente já esteja aberta à visitação, pois estava previsto a reabertura para o público em 2016)

Ficamos por 3 dias completos em Nobres-MT.
Vale a pena conhecer e será uma viagem bem mais em conta que ir para Bonito-MS  e levamos cerca de 2h de viagem, desde a Chapada dos Guimarães.

O Mato Grosso é uma região do Brasil com uma fauna e flora de tirar o fôlego e todo brasileiro deveria conhecer, pois particularmente para mim é a essência de nossa terra.

Além dos locais que menciono mais abaixo, também visitamos a Caverna São José.
Na região do Duto do Quebó também tem o circuíto das grutas, que não deu tempo para conhecer.

Em nobres você deve conhecer:
– Lagoa das Araras (ao por do sol)
– Recanto Ecológico
– Duto do Quebó + Almoço na Dona Sebastiana. (duto do Quebó é uma descida de boia que passa por dentro de uma caverna repleta de morcegos)
– Cachoeira Serra Azul (na fazenda do Sesc)
– Rio Triste (uma descida fazendo flutuação com os peixes nativos da região).
– Balneário Estivado (um restaurante / lanchonete que possui um tanque cheio de peixes para o turista poder nadar junto)

Abaixo seguem algumas fotos dos atrativos citados acima:


#Dicas:

  • Antes de ir para Cuiabá, informe-se bem como chegar na Chapada dos Guimarães, infelizmente a população local é ruim em dar informações sobre como chegar e a sinalização é bem precária.
  • Alugue um carro como um gol ou uno que seja alto, muitos dos lugares que visitamos era um terreno propício para usar um carro 4×4, porém fizemos tudo com um Gol 1.0 e não tivemos problemas.

Minhas percepções entre Chapada dos Guimarães e Nobres-MT:

  • A chapada dos Guimarães oferece muito para trilhas de longa duração, mas também tem estrutura para pessoas com pouca prática e que querem apenas apreciar um pouco da chapada e desfrutar algumas cachoeiras;
  • Infelizmente existe pouco material de divulgação sobre a chapada, incluindo níveis de dificuldades das trilhas etc;
  • Poucas trilhas e visitações são auto guiadas;
  • O centro da Chapada dos Guimarães possui ótima estrutura, com bons restaurantes, lojas de artesanato, uma praça e a igreja histórica Nossa Senhora de Sant’Ana, fundada em 1811 por Dom João VI.

Na Chapada dos Guimarães, ficamos em uma pousada afastadaa uns 3km do centro. São chalés bem confortáveis, com café da manhã bem reforçado e o atendimento foi espetacular. Recomendo! Chama-se “Pousada Jardim da Chapada

Sobre Nobres-MT:

  • Quase não há estrutura turística, mas existem boas pousadas.
  • Os guias da região não tem muita consciência ambiental. Tive de chamar a atenção de dois guias que nos acompanharam, pois um deles enterrou o cigarro enquanto dava instruções sobre a cachoeira Serra Azul e o outro tentou acertar morcegos com um bastão na passagem do Duto do Quebó.
  • Apesar dos pontos negativos com guias, é um lugar sensacional e pretendo voltar um dia.

Ficamos na Pousada Bom Jardim, que já fazem o pacote com os passeios inclusos e pensão completa: http://www.pousadabomjardim.com/

O lugar é muito bonito e organizado, quartos bem confortáveis e com preço bem acessível.

Outro ponto que achei bem legal, foi a atitude do dono da Pousada Bom Jardim. Ele atua como agência na região e vende o pacote como pensão completa, porém a pousada oferece apenas o café da manhã, em contra-partida, ele dá vouchers para comer onde quiser no bairro de Bom Jardim, ajudando a economia da região, haja visto que todos vivem do turismo 🙂

Tanto a Chapada dos Guimarães quanto Nobres, são lugares de fácil acesso desde o aeroporto de Cuiabá.

Para ver mais fotos desta viagem, acesse nosso álbum no Flickr


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Rodrigo Hortenciano

Designer gráfico, com MBA em Marketing, atuando atualmente com como analista de mídias sociais. Sempre que possível gosto de fazer uma trilha, acampar, ou viajar para algum lugar longe da muvuca e geralmente gastando bem pouco ;)

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