Nossa jornada teve início às 21h45, em São Paulo, na rodoviária do Tietê e no dia 21 de julho de 2013.

Fomos em três (Augusto, Rosana e eu), nossa viagem com destino a Belo Horizonte teve o fim às 5h15 do dia 22, de lá pegamos um ônibus para Santana do Riacho às 7h30.

Chegando em Santana do Riacho, ainda precisávamos conseguir um transporte até o bairro da Lapinha.

Talvez fosse possível que pagando R$ 30/ pessoa, algum morador nos levasse, porém havia um ônibus escolar que leva crianças para suas casas na região, então conseguimos uma carona até a Lapinha da Serra.

Tracklog revisado:

Veja todas as fotos em nosso álbum no Flikr

Relato do Augusto: Clique aqui


Nossa caminhada teve início às 13h, já bem próximo da Lagoa da Lapinha.
A trilha é bem demarcada e não tem como se perder e apesar de ser inverno, a temperatura estava acima dos 30°C.

Nessa época do ano, a seca na região extinguiu alguns pontos de água, bem como a cachoeira da lapinha, que estava totalmente seca.

Conforme seguíamos o percurso, ganhávamos mais altitude pela trilha até que chegamos em um tipo de abrigo de montanha, paramos para descansar um pouco, recarregamos nossa água e seguimos em frente.

Passamos próximo ao pico da lapinha e nosso desejo era chegar ao topo do Pico do Breu.
Nós seguíamos um tracklog, que infelizmente o criador andou bons trechos de bobeira e isso nos fez perder um certo tempo na rota para o Pico do Breu.

Alcançamos o topo por volta de 17h35 e assistimos o fim do por do sol. No mesmo instante que o sol desaparecia no horizonte, a lua nascia ao leste.

Era lua cheia e assistimos seu nascer com bastante admiração.

Lá em cima discutimos onde acamparíamos, visto que o sol já havia se posto. Augusto carregava um mapa da região e nele havia a demarcação de uma prainha, então ficou decidido que acamparíamos lá.

A descida do pico do Breu não é difícil, porém como já era noite, mesmo com lanterna e a lua cheia no céu, a visibilidade do percurso não era tão boa.

Descemos em zig zag, evitando trechos mais íngremes, até que por volta de 19h50, alcançamos uma cerca que separava a trilha e o Rio Parauninha.

Olhamos no mapa qual seria o percurso em relação ao ponto que estávamos, atravessei a cerca e fui averiguar se encontrava a trilha e em pouco tempo de caminhada deu pra ver que ela estava lá e bem demarcada, chamei Augusto e Rosana para prosseguimos o caminho até chegar na prainha, que é uma curva de rio com areia bem branquinha.

Nessa área tem um espaço ótimo para acampar,  também continha resto de fogueira, que foi bem útil  para reacendermos.

Após o banho e fazer uma janta, comemos ao calor da fogueira.

A noite estava agradável, sem vento, só se ouviam os grilos e os sapos.

2° dia

Fotos do Acampamento na Prainha

No dia seguinte, começamos a caminhar por volta das 8h. Seguimos em direção a casa de Dona Ana Benta.

Ela era famosa na região (atualmente falecida, informação de 2016), pois muitos relatos sobre essa travessia, citam essa ilustre Senhora que já havia alcançado seus 82 anos em 2013.

Ela encontrava-se firme e forte, dizia que não morava mais naquele lugar, mas que sempre recebia visitantes na região e que estava para receber um grupo de 25 pessoas.

Tomamos café feito no fogão à lenha, tiramos fotos com ela, nos despedimos e seguimos nossa viagem com destino à casa de Dona Maria e Seu Zé.

A trilha vai seguindo para cima até chegar próximo à um cercado de uma propriedade onde encontra com outra trilha que vira à direita subindo.

Seguimos por essa trilha que é sempre bem demarcada até chegar num trecho que parecia uma estrada, a caminhada segue e chega num ponto que a estrada se divide em uma bifurcação.

O caminho correto é à esquerda, mantendo a serra que contém o Pico do Breu à nossa esquerda (tem uma placa também demarcando).

Pouco depois encontramos uma porteira em um cercado, que foi um grande atalho. Dentro desse cercado havia uma placa caída indicando as direções de Tabuleiro e Lapinha. Augusto e eu a colocamos em pé, próxima à porteira para que outros trilheiros a vejam sem dificuldades.

Pouco depois de uns 40 minutos chegamos ao Córrego da Lage. Com a escassez, não havia grande quantidade de água corrente, sua cor era bem avermelhada.
Augusto resolveu experimentar e cuspiu na hora afirmando que tinha gosto de ferro.

Continuamos a caminhada após atravessar o córrego e chegamos em um ponto que a trilha se divide em T, seguimos para o norte (esquerda), pois era a direção correta.

Por volta de 12h30, chegamos na casa de Seu Zé e Dona Maria, que nos ofereceu algumas frutas e água.

Deixamos nossas cargueiras lá e saímos por volta das 13h em direção ao topo da Cachoeira do Tabuleiro.

Tivemos um contra-tempo e entramos em uma porteira que não nos levava para lá, mas corrigimos e seguimos a rota correta chegando no trecho de água corrente do topo por volta das 14h50.

Augusto saiu em disparado na frente para chegar logo até onde a água despenca.

Rosana deu uma parada em uma das quedas do percurso para tomar um banho, depois seguimos rio abaixo até chegar no Augusto.

Tiramos fotos, filmamos a queda de 273m da Cachoeira do Tabuleiro que é de tirar o fôlego.

Por volta das 16h, começamos nossa volta chegando na casa de seu Zé por volta das 17h15.

Tomamos banho quente, jantamos e fomos dormir.


3° dia.

Acordamos cedo, na verdade bem cedo, pois haviam 2 galos que cantavam bem alto, então por voltada das 5h30 já estávamos acordados.

Tomamos café, tiramos fotos com Seu zé e Dona Maria, pagamos a taxa de R$ 30/ pessoa referente a acampamento, banho, jantar e café da manhã e seguimos a nossa caminhada sentido Tabuleiro.

O clima parecia nublado e já não estava tão calor como nos dois dias anteriores, havia também uma neblina espessa que nos impedia de ver o céu, porém mais à frente era possível ver alguns raios de sol no bairro da parte baixa.

Chegando na guarita, recebemos a notícia que o acesso ao poço da Cachoeira do Tabuleiro, estava proibido devido a previsão de mau tempo e que o salva vidas local estava de folga por isso, nosso acesso seria permitido apenas para o Mirante.

A sensação foi “broxante”, pois é como viajar para a praia e nem tomar um banho de mar, tiramos algumas fotos, ficamos lá um tempo e seguimos de volta para ir embora.

Para nossa surpresa e alegria, o clima estava melhorando e tivemos nosso acesso à cachoeira liberado. \o/

Assinamos um termo de responsabilidade, recebemos a orientação de que em caso de suspeita de aproximação de chuva, para voltarmos imediatamente, a fim de evitarmos riscos com tromba d’água.

Durante o percurso, o clima ia melhorando cada vez mais e o céu azul foi dando o ar de sua graça.

Levamos 50 minutos desde a guarita até o poço da cachoeira.
A vista é de tirar o fôlego também.

Lá existe uma pequena ilha no meio do poço, que estava uma mulher de descendência europeia fazendo Topless, curtindo o visual da cachoeira.

Conforme outros visitantes foram chegando, ela nadou de volta e se vestiu.

Augusto e eu nadamos até a ilha, depois nadamos até o pé da cachoeira.
A água estava fria, mas estava ótima.

Chegou a hora de ir embora 🙁

Por volta das 14h conseguimos uma carona de Van até a rodoviária de Conceição do Mato Dentro.

Ao chegarmos lá, um taxista ofereceu seus serviços para nos levar até Belo Horizonte.

Ficamos um pouco receosos, fomos no guichê perguntar o horário do ônibus e teríamos que esperar 2h30, então aceitamos a viagem pelo preço de R$ 50/ cada.

Para quem gosta de direção irresponsável e temer pela própria vida, esse taxista foi um prato cheio.

Era raro não fazer ultrapassagens arriscadas e pegar trechos na contra mão.

Augusto e eu colocamos cinto de segurança e Rosana ficava olhando para nós, rindo e achando aquilo o máximo.

Mal sabe ela como é perigoso dirigir daquela forma, qualquer deformidade nova na pista que o motorista não conhecesse, qualquer carro que viesse no sentido quando estávamos na contra-mão.. seria o nosso possível fim.

A viagem durou 2h30, chegamos na rodoviária de BH pouco depois das 16h30 e nosso ônibus sentido SP só sairia às 19h30.

Estava previsto chegarmos em SP entre a madrugada e início da manhã, porém devido um acidente na Fernão Dias de madrugada, chegamos por volta das 9h.


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Circuito 2 Pontes + Cachoeira do Tabuleiro – Serra do Cipó

 


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Rodrigo Hortenciano

Designer gráfico, com MBA em Marketing, atuando atualmente com como analista de mídias sociais. Sempre que possível gosto de fazer uma trilha, acampar, ou viajar para algum lugar longe da muvuca e geralmente gastando bem pouco ;)

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