No dia 18 de abril fomos fazer a famosa travessia da Serra dos Órgãos de Petrópolis a Teresópolis. Carinhosamente chamada por alguns de “Petrô x Terê” e também de “Peterê”.

Nosso grupo começou em 10 pessoas, sendo esses:
Vinícius Tsugi, Matheus Guedes, Raphael Yamamoto, Bruna, Rosana, Eu (Rodrigo), Joyce Onishi, Wagner Fernandes, Luciana Maryllac e Xazan Cosmos.

A logística foi a seguinte:

A reserva foi realizada como “Trajeto Customizado”, contando com duas noites no Acampamento Castelos do Açu e uma no acampamento da Pedra do Sino. (Para realizar a reserva, bem como ter acesso a lista de preços do parque, acesse: http://www.parnaso.tur.br/ingresso/)
O Planejamento era deixar um dia para ir ao Portais do Hércules e outros locais por perto do Açu.

Saímos à noite, partindo do Terminal rodoviário do Tietê, no dia 17 de abril às 23h, com exceção do Vinicius, que só conseguiu para às 23h10.
(Viação Salutaris – Águia Branca – Compre a passagem antecipada pela internet)
A Viagem é de 8h10 no total.

Ao chegarmos no terminal Rodoviário em Petrópolis, são necessários dois ônibus:
– Um dos ônibus pega-se no próprio terminal rodoviário de Petrópolis, com destino ao Terminal Corrêas;
– No Terminal Corrêas, é necessário embarcar no “611 Bomfim”, que leva até próximo do Parque da Serra dos Órgãos.

Antigamente eram duas linhas que realizavam o trecho, sendo a 616 – Pinheiral (que não existe mais) e a atual já citada – 611 – Bomfim.

Nos baseamos no Tracklog do nosso amigo Marcelo Sousa Oliveira, que está perfeito:

Para o Portais do Hércules, nos baseamos nesse: Portais do Hércules

Vídeo resumo (Assista em HD)

Vídeo clipe feito pelo Wagner Fernandes (Assista em HD)

 Para ver todas as fotos dessa travessia, acesse nosso álbum no flickr


Legal 🙂
Agora vamos ao relato \o/

Iniciamos nossa caminhada às 9h.
O Parque da Serra dos Órgãos possui trilhas bem sinalizadas e bem limpas.
O custo do parque pode parecer alto, porém é bem organizado.
No percurso da portaria até o Castelo do Açu existe o Poço Paraíso, Poço das Borboletas, bem como a Cachoeira Véu da Noiva.

Sobre os poços, passamos direto e por volta das 10h pegamos o acesso para a Cachoeira Véu da noiva, que são cerca de 20 ou 30 minutos de caminhada do ponto de bifurcação.
Vale a pena deixar as mochilas em um ponto da trilha, visto que voltará pelo mesmo caminho.
Ficamos por lá cerca de uns 30 minutos para tirar fotos, alguns do grupo, mesmo meio frio, resolveram entrar na água.

Continuamos nosso percurso, que logo começou a se tornar mais íngreme. Com isso, o grupo começou a dispersar.

Após uma breve parada para descanso em uma pedra bem convidativa, Rosana tomou a dianteira e passou todos.

Por volta das 11h20 cheguei à Pedra do Queijo, avistando a Rosana já um pouco à frente, parei para um vislumbre, descansar e aguardar o restante do grupo.
Após uns 10 minutos, parte do pessoal chegou, conversei um pouco para saber da situação do restante que ainda estava por chegar, sabendo que estava tudo bem, segui o percurso para alcançar a Rosana.
Às 12h20 paramos para um lanche e mais um descanso, pois esse dia até o Açu, o trajeto é praticamente somente de subidas.

Às 13h06 Rosana e eu alcançamos a crista.
Havia um casal de escaladores carioca parados para um descanso, ou quase isso, pois a escaladora estava fazendo paradas de cabeça e alongamentos.

Continuamos nosso trajeto, daí Rosana e eu chegamos ao castelo do Açu às 14h.
O abrigo do Açu está interditado e ao que parece, passará por reformas, pois está correndo o risco de desmoronar.

Procuramos um bom local para acampar, encontrei entre as rochas do castelo do Açu um espaço bem abrigado do vento, que infelizmente estava cheio de cacos de vidro acumulados em um dos cantos.
Mesmo com tanta organização do parque, ainda existem pessoas má intencionadas, que deixam seu lixo onde não deveriam, muito triste.
O restante do grupo ainda estava um pouco distante, Joyce chegou quando eu estava terminando de montar a barraca e Rosana havia ido tomar banho.
Nesse espaço onde montamos acampamento, ficamos com Wagner, Joyce, Luciana e Vinicius.
Por volta das 15h30 o restante do pessoal foi chegando, porém montaram acampamento fora do abrigo da rocha.

Por volta das 17h30 já estávamos preparando a janta.

Xazan é vegetariano, assim como Raphael Yamamoto, Bruna e talvez o guedes também. Ele também trabalha como chef em um restaurante e estava preparando uma refeição bem caprichada, levando todos os ingredientes para cortar na hora como tomates, pepinos, shimeji, etc.
Enquanto ele preparava, Rosana e eu já havíamos terminado de jantar e eu já tinha até lavado a louça, pois havíamos levado sopão e calabresa, algo rápido e mais simples de se cozinhar, porém não tão saboroso quanto ao que Xazan estava fazendo.

Durante a noite, ficamos todos um pouco nas pedras apreciando o céu.
estava uma noite limpa, com pouca nebulosidade e foi possível Wagner e eu fazermos algumas fotos noturnas.
A Temperatura não caiu além dos 14°C.

No dia seguinte, levantamos cedo para assistir ao nascer do sol, por volta das 6h15 os primeiros raios começaram a aparecer e renderam ótimas fotos para todos nós.

Após assistir à esse espetáculo fomos tomar o café.

No início desse relato, comentei que o planejado era dedicar o 2º dia ao Portais do Hércules e outros pontos próximos ao Açu.
A recomendação havia vindo do Marcelo Sousa e do Divanei Goes, fora que no parque também informam que no percurso para a Pedra do Sino, passar pelo portais do Hércules, seria um desvio de quase 3h, podendo fazer com que chegássemos à noite lá no Sino.
Porém, Rosana começou a questionar e dizer que estava a fim de arriscar ir ao Sino no 2° dia e ainda passar pelo Portais do Hércules, porém eu ficava meio com pé atrás, pois o grupo era grande, com ritmos individuais diferentes e que isso geraria atrasos.
Perguntei à Joyce a opinião dela, por ela também seguíamos para o Sino, o Wagner disse que por ele qualquer decisão estava bem. Então conversei com o restante do grupo, mais especificamente com Raphael, o mesmo disse que por ele ficaria por lá, Bruna estava afim de ir para o Sino também, mas como estava acompanhada de Raphael, preferiu ficar, assim como o restante do pessoal.

Então às 8h10 partimos nós quatro, (Wagner, Joyce, Rosana e eu) deixando seis pessoas para trás.
Tivemos um pouco de chá de cadeira no Abrigo do Açu, pois nossa autorização de acampamento no Sino seria só para o dia seguinte, foi necessário que o responsável no Açu se comunicasse por Rádio no Acampamento do Sino para saber se haveria espaço para 2 ou 3 barracas, após uns 20 minutos recebemos a nossa autorização para seguir caminho.

Por volta das 9h30 chegamos ao ponto que bifurca a trilha para ir ao Portais do Hércules, deixamos nossas mochilas meio escondidas em um determinado ponto, pois voltaríamos pelo mesmo lugar e seguimos o caminho.
Não demora muito, são cerca de 30 minutos de caminhada desde a bifurcação e já se chega ao Portais do Hércules.
Ficamos lá por pelo menos 15 minutos.

Fazer essa travessia e não passar pelo Portais do Hércules, é um verdadeiro tiro no pé, pois o visual é magnífico, com formações rochosas muito diferentes que lembram um cenário de filme épico.
De lá, avista-se o “Dedo de Deus”, “Agulha do Diabo”, entre outras formações pontiagudas.

Retomamos a caminhada de volta, pegamos nossas mochilas e seguimos o trajeto.

O percurso até Pedra do Sino é repleto de sobe e desce.
São desníveis bem consideráveis e para quem está sem preparo físico, sofre bastante.
Após rumarmos trilha abaixo, cruzamos um riacho e encontramos com um casal que havia saído antes de nós do Açu.
Estes estavam na dúvida se o caminho era por ali mesmo, tiramos suas dúvidas, perguntaram se haveria muita subida nesse percurso, pois mostravam-se já cansados, mesmo ainda sendo o início do 2º dia.
Dei a má notícia à eles que seria um percurso cheio de sobe e desce, nos seguiram os primeiro 100 metros e os perdemos de vista conforme íamos ganhando altitude.

Às 12h20 chegamos à crista do percurso, encontramos um casal descansando, que foram bem amistosos e hospitaleiros nos oferecendo torradas com nutella, impossível não aceitar rs.

Desta crista já é possível avistar o “Garrafão” (formação rochosa da serra que lembra um garrafão com uma tampa / rolha) já bem próximo.

Nos despedimos do casal agradecendo a hospitalidade, e seguimos em direção ao garrafão.

Garrafão - Serra dos Órgãos

Garrafão – Serra dos Órgãos

Por volta das 12h50, passamos por uma encosta, onde há uma pequena corredeira, existe um corrimão para dar segurança.

Por volta das 13h07, chegamos ao “Elevador”, que são grampos fincados na rocha para usar de escada. É uma subida bem íngreme e sem esses grampos seria quase impossível subir pela rocha.
Provavelmente a vegetação ao redor estaria bem danificada sem esses grampos, pois esta serviria de apoio na subida.

Às 14h50 chegamos no mirante , deixando o Garrafão bem à nossa frente.
Ao nosso lado esquerdo já era possível ver nossa “próxima atração”, era o “Cavalinho”, uma subida pelas rochas, que em alguns pontos é preciso montar nas pedras como se fosse na sela de um cavalo.

Na descida pela trilha em direção ao Cavalinho, tem um trecho onde o uso de corda se faz necessário. Cerca de 3m de corda já é o suficiente, pois existe um grampo para amarrar e se chegar ao solo.
Até é possível descer sem corda, se escorando na rocha e pulando em outra, mas é mais seguro com o uso da mesma.

Joyce estava trazendo corda em sua mochila, mas no momento em que alcançamos a tal rocha, um guia que estava com um grupo mais atrás, chegou até nós e disse que iria prender sua corda para descermos, pois o seu grupo também passaria por lá em instantes. (Por volta das 15h)
Nos deu a notícia que a Pedra do Sino estava bem próxima, cerca de 1h, exceto se não houvesse uma fila na subida do Cavalinho.

Às 15h15 estávamos na fila da subida no cavalinho, por sorte, ultrapassamos muitos grupos durante o dia e a fila estava pequena.
Havia apenas uma garota com um pouco d emedo na subida, pois ao lado esquerdo é um belo penhasco.
Com seu medo ela estava um pouco apreensiva com a mochila e para ajudar, na hora de tirar das costas, sua mochila estava enroscada em sua blusa.
A escaladora que encontramos no 1° dia fazendo paradas de cabeça estava com uma corda içando as mochilas, desceu para ajudar a garota e depois a fila seguiu.
Nesse trecho a subida é igual trabalho de formiguinha, tem de ir subindo um a um, passando mochilas de um para o outro.

Quando chegou nossa vez, a escaladora empresou sua corda para usarmos e depois devolvermos no acampamento.

Às 16h15 já estávamos no topo da Pedra do Sino, Joyce estava mancando com fortes dores em um dos joelhos. Joyce não iria subir, mas como andou o dia todo até lá, se sentiria mal se não fosse até o topo conosco e foi bem legal.
Não ficamos para o pôr do sol, resolvemos ficar um pouco, tirar fotos e descer para montar acampamento.

Às 17h10 chegamos ao acampamento do Sino, fiz a reserva do banho para o pessoal. Sim, existe uma fila para banho.
O custo do banho avulso é de R$ 20/pessoa sendo de cinco minutos cada um.
Particularmente acho o custo alto, porém, um banho viria bem a calhar nessa última noite de acampamento, pois meu banho no dia anterior foi à base de lenços umedecidos.

Começamos a montar o acampamento, ainda estava de dia, pois eram 17h20 e realmente valeu a pena ter adiantado um dia de caminhada e foi possível fazer o Portais do Hércules sem problemas. Ponto para a Rosana, que ficou se vangloriando da sua insistência rs.

Wagner havia desistido do banho e resolver fazer sua janta com tudo que tinha.
Rosana e eu ficamos aguardando nossa hora do banho, que foi por volta das 20h30.

Como a regra era cinco minutos cada um, Rosana e eu tomamos banho juntos para aumentar para 10 minutos juntos.
Depois de um bom banho quente, fomos para o acampamento fazer nossa janta.
Assim como o Wagner, fizemos tudo o que tínhamos para não levar para casa.
Era muito para Rosana e eu, mas o Wagner não tem fundos, então ajudou a não termos desperdício rs.

Após batermos um papo durante um tempo para fazer a digestão, fomos dormir.

No dia seguinte, levantamos cedo, por volta das 5h15. A ideia era subir a Pedra do Sino para assistirmos ao nascer do sol. Joyce ainda sentia muitas dores no joelho e dizia que não iria subir. Demos a opção de todos irmos para a Pedra da Baleia, que fica bem próximo ao abrigo e a visão seria a mesma, mas ela preferiu ficar para poupar o joelho.

Por volta das 5h30 já estávamos no alto da Pedra do Sino. Ainda estava escuro, porém já dava para ver as cores do amanhecer.

O dia estava bastante encoberto em relação ao dia anterior, nesse caso acabamos não vendo o nascer do sol. Já eram mais de 6h e a claridade do dia já tomava conta da paisagem. Mesmo com céu encoberto, a paisagem era incrível, com muitas cores, é algo único que temos todos os dias e muitos dão pouca importância.

Depois de muita contemplação e fotos, descemos para o acampamento, para tomar café, desmontar acampamento e às 8h30 iniciar nossa jornada para a parte baixa do Parque da Serra dos Órgãos, já em Teresópolis-RJ.

No trajeto ainda existe o “Mirante do Inferno”, porém passamos batido por este. Sua vista é uma visão mais próxima da formação “Agulha do Diabo”, que com certeza vale a pena, mas ficará para a próxima.
De certa forma foi bom, pois poupamos um pouco a Joyce, que estava mancando bastante.
Enquanto Rosana e Wagner tomavam a dianteira na trilha, fiquei para trás com Joyce para ajudar caso precisasse.
Alcançamos Rosana e Wagner em uma queda d’água que tem um poço para nado, tiramos algumas fotos, e seguimos todos juntos até o final.

Foram cerca de 3h30 até a portaria do parque.

Depois de sair, tínhamos de ir até a Rodoviária para trocarmos nossas passagens, pois estavam com a data do dia seguinte.
Após trocar as passagens, guardamos nossas cargueiras no guarda-volumes e fomos procurar o que fazer em Teresópolis.
Rosana e Joyce foram ver lojas, Wagner e eu fomos ao Mirante da Colina, depois passamos no museu do futebol.

Para finalizar, fomos todos comer em uma pizzaria para comemorar a travessia 🙂


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Rodrigo Hortenciano

Designer gráfico, com MBA em Marketing, atuando atualmente com como analista de mídias sociais. Sempre que possível gosto de fazer uma trilha, acampar, ou viajar para algum lugar longe da muvuca e geralmente gastando bem pouco ;)

7 comentários

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Raphael Vieira · 29 junho, 2015 às 10:21

O Rodrigo, sabe me dizer se deixaram disponível alguma fonte de água lá no Açu? Tem alguma torneira funcionando ali na redondeza do Abrigo em reforma? vlw

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    Rodrigo · 29 junho, 2015 às 11:17

    Fala Raphael!

    Sim, tem uma torneira e um tanque do lado de fora.
    Por enquanto só está proibido entrar pessoas de fora. Apenas funcionários do parque estão autorizados a entrar no abrigo.

    Abração!

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      Raphael Vieira · 29 junho, 2015 às 11:45

      Vlw cara!!
      Abçs

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Raphael Vieira · 17 junho, 2015 às 12:23

Olá.
Fiz a travessia ano passado também… a energia daquele lugar é animal.
Estou pensando em levar uns amigos para conhecer o Açu, mas vi hoje que o abrigo está em reforma. Vi no seu relato aí que vcs conseguiram tomar banho lá!! Tem alguma ducha disponível mesmo com o abrigo interditado??

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    Rodrigo · 17 junho, 2015 às 12:58

    Fala Raphael tudo bem?

    O banho foi de garrafinha cara rs
    Um legítimo banho “Checo”.

    Banho só no abrigo do Sino mesmo.

    Abração!

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      Raphael Vieira · 17 junho, 2015 às 15:32

      kkk!! Ta blz!! Achei que eles tinham colocado pelo menos uma ducha lá de quebra galho…

      Mas vlw aí!! Abç

Parque Estadual dos Três Picos - Exploradores · 12 novembro, 2017 às 14:30

[…] conhecer a Serra dos Órgãos? Então leia também o nosso relato sobre a Travessia Petrópolis x Teresópolis, carinhosamente conhecida como Petro x […]

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