A Travessia da Serra Fina tem a fama de ser a mais difícil do Brasil, mas discordo disso.

Ela pode ser puxada por ter a necessidade de se carregar água, para 1,5 dia por duas vezes, mas ela está super bem sinalizada, não há percursos de escalaminhadas tão íngremes e acidentados como pode-se encontrar na Travessia Marinns X Itaguaré, que aliás, achei bem mais puxada, tanto pela quantidade de obstáculos, ausência de água e sinalização confusa em alguns trechos. 

Mesmo com GPS, acaba confundindo-se em alguns pontos.

Posso dizer que mesmo a Serra Fina sendo feita em 3,5 dias, pode-se encurtar fazendo em 2,5 dias. Basta começar bem cedo da Toca do Lobo, que será possível acampar na

Pedra da Mina, o percurso será de aproximadamente 13h ou 14h, depende do ritmo do grupo.

As fotos dessa travessia podem ser vistas aqui no flickr


Tracklog:
Baixe o tracklog completo com todos os pontos de referências e nome dos picos aqui

Vídeo resumo: 

 

Abaixo segue o relato detalhado:

Para essa travessia, Rosana e eu (Rodrigo) havíamos combinado de encontrar o Sandro (Mochileiros.com) na rodoviária de Passa Quatro-MG, com o grupo que o mesmo estava convidado. Ou seja, ele foi convidado que acabou incluindo Rosana, eu, mais o cliente do Guto Guia (Roger) no meio, que também foi com a gente.

Lá conhecemos mais um monte de gente:

Marcão (Marco Barbuio) que foi o organizador, Vivi Mar e seu namorado Fábio Borges, Michel Curi, Davis Moreira e sua esposa Mariana, Renato Guimarães (Japa) e por último Rodrigo Rodriguez (que conhecemos só na Pedra da Mina, conto mais adiante).

Fomos na Toyota do Edinho (Contatos no final do relato) até a Toca do Lobo, saindo da rodoviária por volta de 5h15 do dia 12 de Junho, no caminho pegamos o Roger em um local já pré-Determinado, próximo à estrada de acesso da Toca do Lobo.

A Toyota balançou um bocado, a temperatura ainda era baixa e cada um deu um jeito de se proteger do vento no percurso.

Chegamos ao início de nossa caminhada às 6h20, agradecemos o Edinho, nos arrumamos e seguimos para a Toca do Lobo para um breve café da manhã e uma carga leve de água, pois mais adiante, após o morro do cruzeiro existe água de boa qualidade.

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Rosana, Roger e eu saímos da toca do Lobo antes de todos, pois já estávamos satisfeitos e ansiosos para começar a jornada.O caminho inicia-se atravessando o riacho que passa em frente a toca do lobo (1578m de altitude), subindo a trilha e tomando o cauerda, nminho à esqão tem erro.

Após pouco tempo de caminhada o restante do grupo começou a nos alcançar, alguns passaram como o Fabio (namorado da Vivi), que tem um ritmo forte e seguiu adiante.

Cerca de 40 minutos de caminhada, já num ponto elevado da trilha chegamos na água (1837m de altitude). É nesse ponto que deverá pegar água para 1,5 dia, então leve pelo menos de 3L a 4L consigo (8h40).

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O percurso é tranquilo, nos trechos mais próximos do Capim Amarelo, a mata é um pouco mais densa e a subida tem auxílio de cordas de apoio já instaladas no local, pois existem trechos escorregadios.Após esse ponto a subida segue em direção ao morro Quartzito, já com seus 2032m de altitude, aqui todos fazem a foto clássica exibindo o percurso da Serra Fina, vale apena, a visão é magnífica e já é possível avistar o topo do Pico do Capim Amarelo.

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Fabio alcançou o topo do Capim Amarelo às 11h20, Rosana e parte do Grupo às 12h30, eu cheguei 1h depois, pois estava dando apoio ao Roger nos trechos de escalaminhada.

O tempo estava fechado nesse momento e uma chuva leve deu início.

Após acampamento montado, Rosana e eu fomos dormir para recuperar o sono perdido na viagem de SP até MG.

Cerca de 3h de sono depois, saí da barraca, já eram 17h20 e o clima não ajudava muito, as vezes abria uma janela nas nuvens e víamos o horizonte meio enevoado e depois fechava.

Fizemos a janta e por volta das 19h fomos dormir. Durante a noite ventou bastante, mas estávamos protegidos do vento pela vegetação de capim elefante que predomina lá.

Graças ao vento e cair da temperatura, o clima abriu e o amanhecer estava belo.

Não foi possível apreciar o nascer do sol, pois haviam muitas nuvens no horizonte, mas foi possível observar o “por da lua” à esquerda do Pico dos Marins, era lua cheia e então a visão era impressionante.

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Após café tomado e acampamento desmontado, novamente Rosana, Roger e eu saímos antes de todos do local (8h20) rumo a Pedra da Mina, e mais uma vez no caminho parte do grupo nos alcançava e outra parte se distanciava.

Michel, Davis e sua esposa, por exemplo, só fomos reencontrar novamente no outro dia já no Pico dos 3 Estados.

Pico do Capim Amarelo ficando para trás

Pico do Capim Amarelo ficando para trás

O caminho é bem sinalizado como desde o começo, um ou outro trecho acaba gerando dúvida e é preciso consultar o GPS, mas no mesmo momento que se vai consultar avista-se alguma sinalização em alguma árvore, rocha etc, então nem chega-se a olhar o GPS.

Por volta das 14h alcançamos a água da nascente do Rio Claro, abastecemos com mais 2L cada, pois seria para cozinhar e tomar café na Pedra da Mina, além de beber também.

Não é necessário pegar mais 4L nesse ponto, pois no dia seguinte após 40 minutos ou 1h de percurso chega-se no Vale do Ruah onde tem a nascente do Rio Verde.

Seguimos nosso caminho rumo a Pedra da Mina, parte do grupo resolveu acampar antes do Cume, na base, pois acreditavam que não teriam lugar e também gostariam de esperar por Michel, Davis e sua esposa.

Rosana, Roger e eu seguimos no caminho e conhecemos Alisson e Joyce, um casal muito bacana que nos acompanhou desse ponto até o final da travessia.

Eles tomaram a dianteira na subida para o topo e acamparam na “Suíte Presidencial” da Pedra da Mina, chamo por esse nome por ser o melhor lugar, com barreiras de pedras altas e bem montadas, por algum montanhista paciente de bom coração.

A neblina e o vento não davam muita trégua, a temperatura caiu bastante pela altitude e o vento ajudava a causar uma sensação térmica mais fria.

Por volta das 15h50 Rosana alcançou o cume (2798m de altitude), Roger e eu logo em seguida.
Montamos nossa barraca no abrigo de vento ao lado de Alisson e Joyce.

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Pouco tempo depois o Renato (Japa) chega ao topo também. Não havia mais ninguém além de nós.

Na caixa do livro do Cume existia um tipo de kit com miojo, azeite, capuccino, espelho e também um termômetro, que foi útil para medirmos a temperatura desta noite.

A tarde foi caindo, a neblina não dava trégua, as vezes parecia que abriria uma janela e logo tudo ficava branco novamente.

Das poucas janelas que abriram, foi possível observar que no Marins e Itaguaré o temo estava limpo e que nós fomos premiados com as nuvens tampando nossa visão hehe.

Na hora de fazer a janta, Rosana improvisou com a lona da barraca um “avanço” maior e conseguiu cozinhar sem por fogo em nosso lar. <3

Comer um sopão quentinho no frio de 7°C foi ótimo e deu um ânimo a mais.

Fiquei do lado de fora da barraca conversando com o pessoal durante um tempo, mas por volta das 19h30 fui pra barraca deitar, pois o frio era abrandado pelo vento forte.

Por volta das 20h30 o Roger junto com o Japa avisam que o céu está limpo e que era possível ver a lua nascendo bem vermelha no lado do Rio de Janeiro, resolvi dar uma saída pra olhar, fiquei uns 5 minutos do lado de fora e voltei haha.

O vento foi forte durante a noite toda, por vezes eu até acordava porque a barraca balançava muito e batia na minha cabeça, custei a dormir nessa noite, mas consegui.

Por volta das 0h20 acordei achando que já eram 5h, o céu estava claro, mas só me dei conta do horário depois de olhar no celular e me liguei que a lua estava clareando tudo, coloquei a touca nos olhos e voltei a tentar dormir.

Ao sair da barraca, o dia estava enevoado e com uma neblina rala, torcíamos para poder ver o nascer do sol e conseguimos 🙂

A névoa baixou pouco antes dos primeiros raios de sol aparecerem por trás dos rochedos do Parque Itatiaia (6h30).

Foi possível ver o Pico das Agulhas Negras e o das Prateleiras com as nuvens um pouco abaixo de nós.

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Depois observar esse espetáculo, tomamos nosso café da manhã.

Ao andar um pouco pelo Pico, notamos que o Japa resolveu acampar em algum outro lugar que não foi lá e no outro abrigo de vento estava o Rodrigo Rodriguez, que iniciou a caminhada um dia depois de nós, seguiu direto da Toca do Lobo para Pedra da Mina, nem o vi chegar.

Ele não usou barraca, dormiu em seu saco de dormir de -18°C sobre um isolante térmico inflável.

Não o conhecia e também não sabia que fazia parte do grupo ao qual fomos convidados.

Conversando um pouco com ele, contou que nunca acampa em barraca na Pedra da Mina e que sempre prefere fazer bivaque e que sua vantagem, é que pode carregar bem menos peso em sua mochila, que segundo ele, pesava apenas 8Kg.

Por sorte não choveu, pois poderia ter se complicado, mesmo usando um cobertor de emergência para se impermeabilizar.

Rodrigo Rodriguez bivacando na Pedra da Mina

Rodrigo Rodriguez bivacando na Pedra da Mina


Por volta das 8h20, seguimos nossa jornada rumo ao Pico dos 3 Estados, nesse mesmo momento o Sandro e a Vivi alcançaram o cume, só deu tempo de cumprimentar de longe, pois a Rosana estava gritando para andar logo (mulher apressada hehe).

40 minutos depois chegamos no vale do Ruah, existem bons locais de acampamento aqui e água perto, é realmente a melhor opção para se acampar em caso de não encontrar lugar no cume. , mas é preciso um cuidado redobrado com a hora de “fazer o nº 2”, pois pode contaminar o Rio Verde.

Paramos no leito do rio verde, ao lado de uma ótima área de acampamento por volta das 9h20, nesse trecho pegamos a água para mais 1,5 dia.

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Acredito que todo mundo deve xingar muito o capim elefante quando chega no vale, é uma região onde ele é bastante denso, e precisa sempre dar uma conferida no GPS e ir contornando as grandes moitas.

A dica aqui é seguir o leito do rio quase até o pé do Pico da Brecha (é possível avistar esse morro enquanto segue o rio), por vezes confira o track do GPS, pois há algumas bifurcações na vegetação. Se tiver um bastão de caminhada, vai ajudar nessa hora para afastar as folhagens e ver o chão.

Cerca de 40 minutos andando nesse capim do inferno, chega-se ao Pico/Morro da Brecha.

Talvez tenha esse nome de “Brecha” por ser realmente uma brecha entre a vegetação de capim elefante, o pior ainda virá, acredite hehe.

Após um trecho de caminhada aberta, entra-se em uma mata um pouco mais densa, cheia de bambuzinhos que adoram segurar as mochilas e o que estiver para fora.

Trecho de mata com bambuzal

Trecho de mata com Bambuzal


Esse ainda não é o pior trecho de vegetação, ele virá no dia seguinte, quando partir do Pico 3 Estados, mas conto mais adiante.

Enquanto estávamos no Pico da Brecha, o Sandro nos alcançou, e dava pra ver o restante do grupo chegando cada vez mais perto.

Nesse momento Sandro comentou que no Pico dos 3 Estados não haviam muitos espaços para acampar, e que esse dia era praticamente uma corrida, pois encontrar área boa de acampamento fora do Pico, seria um pouco distante.

Bom, nessa hora ele despertou o espírito de sargento da Rosana (que não precisa muito) e que já queria partir imediatamente dali para rumarmos ao Pico dos 3 Estados, que assim seja.

Seguimos em ritmo forte, parando algumas vezes para um breve descanso.

Por vezes era possível ouvir as vozes do pessoal um pouco distante trazida pelo vento, mas nos fazia acreditar que estavam bem próximos, o que servia de estímulo para todos nós e principalmente para Rosana que se irritava facilmente com as paradas seguintes. 

Quando atingimos o Pico Cupim de Boi (13h), fizemos uma nova parada para descanso e já era possível avistar o Pico dos 3 Estados.

Rosana retornou um trecho na trilha em cima do pico e avistou o Fabio se aproximando, então partimos novamente. Passamos por mais alguns trechos de vegetação mais densa com bambuzinhos, mas bem aberto. 

Chegamos no topo do Pico dos 3 estados (2665 m de altitude) às 14h20, fomos ao ponto tríplice tirar fotos e em seguida começamos a montar acampamento.

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Mas o contrário do que se imaginava, o Pico tem boas áreas de acampamento e coube o grupo todo sem problemas e mais outro grupo que chegou mais tarde.

Por ser a última noite, todos fazem o chamado Banquete do Pico dos 3 estados, assim elimina boa parte do peso das mochilas.

Quando chegamos havia muita neblina, mas no cair da noite o céu foi limpando.

Passei um tempo conversando com o Renato (Japa) sobre a trilha e outras experiências, deu pra ver o nascer da lua e o céu estrelado também.

É preciso ter uma atenção redobrada com a comida, pois há muitos ratos habitando esse pico, eles não são tímidos e chegam bem perto de nós.

Então ensaque bem o lixo e comida e de preferência mantenha dentro da mochila e dentro da barraca.

No dia seguinte, a ideia era sair bem cedo para que pudéssemos chegar por volta das 12h no ponto de resgate, pois assim poderíamos almoçar no restaurante onde servem trutas.

Levantamos por volta das 5h20, Rosana preparou o café e começamos a arrumar as coisas.

Assistimos o nascer do sol com o grupo todo reunido, tiramos muitas fotos, comemoramos por todos estarmos lá e tratamos de desmontar acampamento.

Por volta das 7h25 começamos nossa jornada rumo ao Sítio do Pierre.

Saindo do Pico dos 3 estados, já é possível avistar o Pico Bandeirante, que é o próximo ponto de subida.

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Por volta das 9h30 chega-se ao Pico Alto dos Ivos, que se o tempo estiver aberto é possível avistar o Agulhas Negras e Prateleiras bem próximos, mas infelizmente não tivemos essa sorte.

Também no Alto dos Ivos é possível avistar torres de Celular no lado Mineiro e que possibilita fazer ligações. Na verdade em quase todos os picos é possível usar o telefone celular. Na Pedra da Mina funciona até 3G, segundo o Rodrigo Rodriguez.

Conforme a altitude vai diminuindo a vegetação vai se mesclando. Então vai encontrar uma mistura de Capim Elefante, com Bambuzinho em muitos trechos e esse sim será um caminho árduo na vegetação hehe.

Ainda me pergunto qual é o pior, se o capim elefante do Vale do Ruah e em outros locais ou se são os bambuzinhos.

Não pense que a vegetação fica apenas em capim elefante + bambuzinho, conforme se perde mais altitude a vegetação de mata atlântica começa a surgir e então é preciso prestar mais atenção no percurso e se defender mais da vegetação também.

Por volta das 12h chegamos à Fazenda do Engenho, paramos para descansar e esperar o restante do grupo. 

Despedimo-nos de Alisson e Joyce que ainda seguiriam viagem para a Serra do Caparaó para subir o Pico da Bandeira.
Cerca de 30 minutos depois o pessoal foi aparecendo então seguimos o caminho para nosso resgate (13h15) e o tão esperado almoço.

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Dicas 

  •  Dica – Não pegue água para a travessia na Toca do Lobo, pois cerca de 40 minutos de caminhada ou 1h, irá encontrar um ponto de água. Esse ponto fica entre o morro do Cruzeiro e Quartzito (1837 m de altitude)
  •  Dica – Ensaque bem alimentos, lixo e guarde na mochila, principalmente no Pico dos 3 Estados, assim evitará incidentes com ratos.
  •  Dica – se possuir bastão de caminhada, será útil no vale do Ruah para poder enxergar a trilha no chão


Alguns contatos de resgate fornecido pelo Augusto:

  • Edson da Toyota: (35) 99963-4108 ou (35) 3371-1660 (Passa Quatro); 
  • Moutinho: (35) 9103-4878
  • Geraldo – Donizete: (35) 9832-0171 – Taxi
  • Hotel Serra Azul: (35) 3371-1291 – nesse hotel Augusto já conseguiu um contato de um taxista que faz ponto em frente.

 

Já os taxistas de Itamonte que podem te pegar lá no Pierre são esses:

  • Neivaldo: (35) 3363-3078 – (35) 9140-3751 (tim) (35) 8465-3451 (claro) e (35) 9889-1171 (vivo).
  • Zé Roberto: (35) 3363-1356 – (35) 9854-0567 – (35) 9113-4325 – (35) 9155-0442
  • Taxista Marquinhos: (35) 9113-1214 (Itamonte) – Um dos + baratos; 
  • João: (35) 9162-2988
  • Lazaro: (35) 9137-6434 (tim) – (35) 9913-6305 (vivo) – (35) 8424-7068 (claro)
  • Mauro: (35) 9176-3152 (tim) e (35) 9931-0128 (vivo)

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Rodrigo Hortenciano

Designer gráfico, com MBA em Marketing, atuando atualmente com como analista de mídias sociais. Sempre que possível gosto de fazer uma trilha, acampar, ou viajar para algum lugar longe da muvuca e geralmente gastando bem pouco ;)

1 comentário

Pico Pedra da Mina A 5ª Montanha mais alta do Brasil | Exploradores · 24 março, 2016 às 12:19

[…] Minas Gerais e São Paulo passando por seu topo. Seus acessos mais comuns, são realizados via travessia da Serra Fina ou pelo bairro do Paiolinho em Passa […]

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